domingo, 18 de abril de 2010

o novo calçadão de Londrina

A reforma do calçadão de Londrina vem cuidadosamente "planejada" há anos. Pode parecer "teoria da conspiração", mas a manutenção do calçadão foi deixada de lado na última administração - reforma incorretas, remendos com cimento, grelhas enferrujadas, etc. (lembro-me até de tropeçar em um resto do que foi um dia uma placa de trânsito próximo ao Banco do Brasil). Recentemente o calçadão recebeu uma "maquiada", onde sumiram as grelhas de águas pluviais; resultado: poças na imediações ao Ouro Verde.

O petit Pavet deve ser cuidadosamente assentado, manualmente, e, dizem os bons assentadores, deve ser reassentado de 10 em 10 anos para corrigir as acomodações da terra. Uma das soluções seria o lastro de concreto, com uma malha metálica, como contra-piso ao petit-pavet.

O bloco intertravado tem um assentamento similar e também cuidadoso. Porém suas peças são geometricamente idênticas, o que torna o processo mais rápido. O fato de ele estar solto horizontalmente apresentam 2 qualidades fantásticas: ele pode ser retirado e posto a qualquer momento, facilitando a reforma de dutos e galerias abaixo dele; ele é permeável. (ao contrário do petit-pavet). O bloco intertravado é a "bola da vez" na P.M.L., visto as reformas de outras praças. Daqui a 30 nos talvez seja outro e trocaremos tudo de novo.

A acessibilidade do calçadão (velho) poderia ser mantida por rotas delineadas e específicas, tais quais as rotas de concreto varrido executados marginalmente ao novo calçadão. Reparem que nessas rotas também não foi usado o bloco intertravado. Por quê? Porque andar de cadeiras de rodas sobre o bloco também balança. Talvez bem menos que em um local onde o petit-pavet esteja mal assentado ou que sofreu movimentações de terra, como em frente da "praça da bandeira". Certa vez observei um cadeirante passear pelo local e ele chacoalhava tanto que parecia que seria expulso de sua cadeira. A acessibilidade deve ser feita e garantida, não somente no calçadão.

Dizer que o Petit-pavet não presta é porque nunca viu um bem assentado. Ou nunca o viu assentado em shoppings e LISO. É possível polir as arestas. Claro que para uma via de pedestres não seria interessante um piso totalmente LISO; como poucas pessoas devem saber que o petit-pavet da cor preta, quando molhado, é liso feito sabão – em dias de chuva ande pelo branco.

Ou seja: o calçadão velho não é 100%. Mas pode ser acessível e sua manutenção correta e periódica.

Agora imaginem se a moda pega e trocamos todos os pisos de petit-pavet. Imaginem o piso de Copacabana de blocos intertravados?

Tudo bem. Se todos imaginaram menos eu:

Agora imaginem que em todos estes calçadões seus desenhos (contraste, cor...) tenha sido alterados a ponto de serem pálidas lembranças do passado? De ícones urbanísticos, ponto fortes de referência espacial à pálidos reflexos de um dia para o outro? Independentes da estética do gosto ou do belo, a relação simbólica do calçadão, de petit-pavet, do desenho contrastante claro-escuro das correntes estilizadas, é (era) signo desta praça.

Para Londrina deve ser bem fácil, pois apagaram de seu patrimônio cultural outros ícones como quem troca de roupa.

as fotos a seguir foram retiradas do JL:
http://portal.rpc.com.br/jl/online/conteudo.phtml?tl=1&id=992850&tit=Reforma-poe-calcadao-na-berlinda
 





LINKS:

opnião do  arquiteto carioca Hely Brêtas Barros, autor do projeto do calçadão.